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Novas perspectivas- Aplicação de células uroteliais contendo células tronco/progenitoras tem efeito anti-tumoral em câncer de bexiga.

O câncer urotelial de bexiga é o segundo tipo de tumor mais comum no trato geniturinário e as formas avançadas da doença tem uma alta taxa de mortalidade.

Células normais de bexiga foram extraídas, cultivadas e inseridas na bexiga de ratos portadores do tumor. O experimento demonstrou que tais células normais, vindas de outro indivíduo tiveram um efeito suprimindo o crescimento e a migração das células tumorais. Em alguns casos, houve até mesmo regressão do tumor. A hipótese é que as células normais induzam uma série de eventos que inibem o crescimento tumoral e ativam o sistema imune.

Imagem do artigo

Imagem do experimento mostrando um exemplo onde houve regressão do tumor. NMU= Grupo que recebeu a infusão de células uroteliais de outro indivíduo. NS= Grupo controle.

Os autores sugerem que estes resultados poderiam apontar para uma nova modalidade de terapia celular, onde desordens imunes podem ser tratadas aumentando a capacidade de cura do corpo através da aplicação de células alogênicas.

 

 

 

 

Huang CP, Chen CC, Shyr CR. The anti-tumor effect of intravesical administration of normal urothelial cells on bladder cancer. Cytotherapy. 2017 Oct;19(10):1233-1245. doi: 10.1016/j.jcyt.2017.06.010. Epub 2017 Aug 14. PMID: 28818454

Transplante de Células –tronco hematopoéticas no Lupus;

 

Lupus eritematoso sistêmico é uma doença auto imune de mil faces. De difícil diagnóstico ao seu início, a doença pode começar com sintomas neurológicos, cardíacos, articulares e cutâneos e o paciente passar por vários médicos sem que o diagnóstico seja realizado. Assume várias formas e o paciente pode apresentar manifestações graves como tromboses e inclusive vir falecer sem que o diagnóstico seja realizado. Existem as vezes casos familiares e descrição de óbitos. A doença na maioria das vezes é grave e os sintomas quando não debelados em muitos pacientes podem evoluir com problemas renais que fazem com que os rins parem de funcionar.  Esta é a nefrite lúpica na qual o paciente necessita de um transplante de rim para sua sobrevivência.

O tratamento básico do Lupus é com imunossupressores, mas por vezes nada funciona e o transplante de células-tronco hematopoética é uma opção para pacientes não controlados com o tratamento convencional descrito ou naqueles sob risco de piora de sua doença. O Lupus é uma das doenças auto imunes em que este transplante é mais realizados em todo o mundo, com “cura” provável descrita em mais de 50% dos pacientes que foram submetidos a este tratamento.

Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea (SBTMO) recomenda o Transplante para a Doença de Crohn.

Durante a reunião do Consenso da SBTMO de diretrizes para o transplante de medula óssea no Brasil, na cidade de S.Paulo, várias definições referentes a indicação do transplante para tratamento de diversas doenças forma realizadas. Dentre elas no capítulo referente a doenças autoimunes, o Transplante foi recomendado para casos selecionados de pacientes com a Doença de Crohn. Os dados da moléstia foram apresentados pelo Professor Milton Artur Ruiz, que realtou a experiência mundial no tratamento da doença, de recente estudo de metaanálise, e dos resultados do transplante de São José do Rio Preto, com maior número de casos, e do Hospital Albert Einstein de São Paulo. A recomendação estará no próximo fascículo a ser editado pela SBTMO.

500.000 pacientes transplantados de Medula Óssea!

EBMT comunica que no começo de 2017 foi atingida a marca de 500.000 pacientes transplantados registrados.

Por esta ocasião, publicou um video aos médicos, pesquisadores, doadores e paciemtes.

Video traduzido- 500.000° paciente

 

https://youtu.be/ecEqAkXqiu8

 

 

 

Exercício nas Doenças Auto imunes

Milton Artur Ruiz , Priscila Samara Saran
Unidade de TMO da Associação Portuguesa de Benficencia de SJ Rio Preto , SP                  

Doenças autoimunes realmente jogam o corpo em um ciclo vicioso. Você ataca seus próprios tecidos. Sua inflamação está na estratosfera. O que geralmente seria bom para você – como aumentar o sistema imunológico – pode piorar a sua situação. Muitas vezes você vai restringir certos alimentos que, no papel, parecem saudáveis e densos em nutrientes. Você não quer correr riscos, então mede e pondera tudo antes de comer ou fazer. Às vezes parece que quase tudo tem o potencial de ser um gatilho de piora dos sintomas.
Isso se aplica ao exercício, também? As pessoas com doenças autoimunes também devem mudar a forma como treinam ou se exercitam?

Primeiramente: o exercício pode ajudar. Você apenas tem que fazê-lo direito ou arriscar colher efeitos negativo.
Não sobre treine. A maioria das doenças autoimunes é caracterizada por inflamação crônica. Qualquer coisa que aumente essa carga inflamatória, como exercício demais, contribuirá para piorar o estado geral. . O sobre treino – exercício estressante do qual você não se recuperarará antes de exercer novamente – irá aumentar a sua carga de estresse e aumentar os sintomas autoimunes.

Evite o intestino permeável induzido pelo exercício. Exercícios intensos e prolongados – pensem em treinos metabólicos de 30 minutos de alta intensidade, corridas longas a passo rápido, tiros de 400 metros – aumentam a permeabilidade intestinal. A permeabilidade intestinal elevada tem sido associada à artrite reumatóide e à espondilite anquilosante, e os pesquisadores acham que ela pode desempenhar um papel causador também em outras doenças autoimunes.
No entanto, não se exercitar pode ser ainda pior porque o exercício aumenta as endorfinas. A maioria pensa nas endorfinas simplesmente como substâncias químicas que nos fazem “sentir bem”. Elas são o que o corpo bombeia para lidar com a dor, como uma resposta ao exercício, e é através do sistema de receptores de endorfinas que os opiáceos exógenos funcionam. As endorfinas também desempenham um papel importante na função imunológica. Em vez de “aumentá-la” ou “diminuí-la”, as endorfinas regulam a imunidade. Elas a mantêm funcionando sem problemas. Sem endorfinas, o sistema imunológico começa a se comportar mal. Soa familiar?

Esta é a mesma relação que todos têm com o exercício. Demasiado é ruim, muito pouco é ruim, a recuperação é sempre necessária, e a intensidade deve ser equilibrada com o volume de exercícios realizados. A margem de erro é simplesmente menor quando você tem uma doença auto-imune.
Na Doença de Crohn, o corpo ataca o trato gastrointestinal. É uma condição bem ruim. Como Crohn pode envolver dor abdominal incapacitante, digestão prejudicada, fadiga, dor nas articulações e diarreia de emergência, os pacients muitas vezes evitam o exercício. Eles não deveriam. Se você conseguir ultrapassar os bloqueios mentais que a Doença de Crohn constrói, o exercício pode realmente ajudar.

O que funciona:

Sprints (exercícios de alta intensidade em intervalos curtos), assim como exercícios de média intensidade funcionam, mas os sprints são menos inflamatórios. Ambos os sprints (seis ciclos de sprints de quatro x 15 segundos de bicicleta a 100% de potência de pico) e pedalar moderadamente (30 minutos a 50% de potência de pico) foram bem tolerados por crianças com Crohn, mas certos marcadores inflamatórios foram maiores no grupo moderado. Outro marcador inflamatório também permaneceu elevado durante mais tempo no grupo moderado.

Treinamento de resistência e atividade aeróbica. Sozinhos ou juntos, ambos melhoram os sintomas de Crohn modulando a função imunológica.
Andar a pé. Um programa de caminhada de baixa intensidade (apenas três vezes por semana) melhorou a qualidade de vida em pacientes com Crohn.

Naqueles pacientes que serão submetidos ao transplante de Células Tronco Hematopoiéticas, o exercício físico tem efeitos benéficos sobre o estado geral do paciente, influenciando inclusive em uma melhor mobilização das células tronco. Portanto, a fisioterapia deve deve ser realizada conforme as condições dos pacientes, que devem ser estimulados a caminhar e fazer exercícios conforme seu estado permitir, durante o período de internação e após alta hospitalar.

Referências
http://www.marksdailyapple.com acesso em 05 de abril de 2017
http://www.paleodiario.com/2017/04/como-exercitar-se-quando-se-tem-uma.html acesso em 05 de abril de 2017
DeFilippis EM, Tabani S, Warren RU, Christos PJ, Bosworth BP, Scherl EJ. Exercise and Self-Reported Limitations in Patients with Inflammatory Bowel Disease. Dig Dis Sci. 2016; 61 (1): 215-20
McCray CJ, Agarwal SK. Stress and autoimmunity. Immunol. Allergy Clin North Am. 2011; 31(1): 1-18.
Arrieta, MC, Bistritz L and Meddings JB. Alterations in intestinal permeability. Gut. 2006 ; 55(10): 1512–1520.
Wilson RW, Jacobsen PB, Fields KK. Pilot study of a home-based aerobic exercise program for sedentary cancer survivors treated with hematopoietic stem cell transplantation. Bone Marrow Transplant 2005; 35:721–727
Baker JM, Nederveen JP, Parise G. Aerobic exercise in humans mobilizes HSCs in an intensity-dependent manner. J Appl Physiol (1985). 2017; 122(1):182-190

Como provar o não aprovado em Terapia celular.

Milton Artur Ruiz*

A terapia celular é considerada a medicina do futuro (1). Há mais de dez anos a resposta da academia para a terapia tem sido frustrante e os resultados de estudos experimentais não tem sido transferido na velocidade que a população e os pacientes, muitos deles sem opção de tratamento, desejam. Assim, muitos se desesperam e buscam opções e tratamentos diversos por vezes não aprovados para os seus males.

Todo medicamento ou tratamento novo ou inovador para ser empregado deve seguir os paradigmas das fases de segurança, eficácia, antes da sua disseminação, comercialização e recomendação para a população. O tempo de aprovação de um novo medicamento é longo e pode ultrapassar 10 anos dependendo de aspectos locais e problemas burocráticos de cada país. Os parâmetros de avaliação como norma e seguidos são os da indústria farmacêutica, mas o que se observa é que a terapia celular não segue estes parâmetros.
Sobre isto a International Society for Cellular Therapy (ISCT) tem se debruçado e publicou recentemente na revista Cytotherapy artigos sobre o tema (2,3).

As células são altamente complexas e respondem dinamicamente a qualquer modificação do meio ambiente o que faz com que seja difícil a padronização, diferente das pequenas moléculas produzidas industrialmente em laboratórios e testados na forma tradicional. As células, por exemplo, secretam citocinas e fatores de crescimento, e microvesículas liberadas em múltiplas quantidades e combinações e que variam em relação ao meio ambiente e estado fisiopatológico do paciente no qual elas são introduzidas. Assim torna-se um desafio testar a terapia celular para várias doenças. Os desafios são a escolha do melhor tipo de célula, o mecanismo de ação que ela exerce para uma determinada doença, os aspectos técnicos do seu isolamento, caracterização e identificação, e a sua expansão em laboratórios que tenham boas práticas e experiência comprovadas (GMP). Outro aspecto refere-se ao número de células (dose) e a via de administração mais adequada para a doença que tenha indicação clínica ou não exista outra opção terapêutica. No entanto os estudos pré-clínicos devem ocorrer para que ocorra preliminarmente a prova de evidencia e conceitual de tratamento para a doença em tela e sob avaliação.
O uso compassivo da terapia celular em casos de emergência é outro aspecto que a ISCT demonstra ter preocupação (2). Ao mesmo tempo entende que em situações de emergência onde não exista por vezes outra opção que não a terapia celular ou já tenham sido esgotados os tratamentos convencionais. Neste aspecto o Brasil não possui legislação específica assim como para terapia o país segue normas de regulamentações mínimas produzido pelo Ministério da Saúde-ANS. Em relação a isto em nosso país existe um grande cabedal jurídico a favor do emprego de terapias inovadoras, desde que existam resultados pregressos e principalmente segurança no seu emprego para os pacientes.

Assim protocolos clínicos bem estabelecidos, e realizados por grupos com responsabilidade e conhecimento da terapia celular e da doença alvo são as premissas relevantes para o uso compassivo da terapia celular.
Estes protocolos não devem não ser realizados de forma esporádica, e sim conduzidos de forma a obter dados do procedimento e do seguimento dos pacientes. Assim todo o potencial do tratamento compassivo deve seguir a premissas de fase 1 baseado em um protocolo bem escrito, visando segurança e factibilidade, em relação ao tipo de célula a ser empregado e pincipalmente o desfecho a ser avaliado no tratamento. Este tratamento deve conter um documento de consentimento livre de participação com informações globais, resultados pregressos, riscos e benefícios potenciais e contar com a aquiescência do paciente a ser submissão a terapia e também permitir a divulgação dos resultados observados. Após, deverão ser delineados estudos de fase 2 e 3 de comparação com o melhor tratamento existente no momento para a doença sob investigação. Dependendo da doença sob investigação, serão selecionados os desfechos, o tamanho amostral e estes resultados obviamente determinarão o status da terapia celular naquela doença.

Os estudos randomizados são o objetivo dos pesquisadores, os mais valorizados e fazem parte do topo de uma linha de pesquisa. No entanto em determinadas situações, além de não serem factíveis, podem inclusive serem taxados de antiéticos em situações de extrema gravidade, onde resultados benéficos da terapia celular foram comprovados em revisões sistemáticas e metanálises4.
Concluindo urge que os profissionais da área de Terapia celular, as Sociedades envolvidas com a atividade, de especialidades e de pacientes que tenham doenças alvo de tratamento, discutam os resultados atuais existentes no país e no exterior e realizem avaliações conjuntas para definir o papel da terapia em cada doença.

Referências

1. Ruiz MA., Cell Therapy in Brazil, time to reflection Rev Bras Hematol Hemoter 2013, 35(5):296-8
2. Dominici M et al., Positioning a Scientific community on Unproven Cellular Therapies: The 2015 International Society for Cellular Therapy Perspective. Cytotherapy 2015; 17 (12):1663-6
3. Weiss DJ., Part 2: Making the “unproven” “proven” Cythotherapy. 2016;18(1):120-3
4. Benoit E et al. Safety and Efficacy of Autologous Cell Therapy in Critical Limb Ischemia: A Systematic Review. Cell Transplantation 2013; 22: 545-62

*Coordenador da Unidade de Transplante e Terapia cellular da Associação Portuguesa de Beneficencia SJ Rio Preto, SP Brasil.
Past VP South and Central America International Society for Cellular Therapy

Casos clínicos – Curso de Hematologia/Oncologia – FM Unilago 2015

Casos Clínicos

Caso 1
Paciente masculino, 48 anos, diabético, hipertenso, relata nos últimos 6 meses, fraqueza progressiva, cansaço aos mínimos esforços e falta de ar quando realiza atividades físicas. acompanhado de palpitações e suores profusos.

Caso 2
Paciente do sexo feminino, 2 anos de idade relata a presença de dores nas juntas frequentes, quadros febris constantes, procura o PS com dores no tórax intensa, falta de ar e aumento do amarelo nos olhos.

Caso 3
Paciente masculino, 24 anos de idade, relata aumento de bola no pescoço há 3 meses. Informa que no início apresentava dor, mas que cedeu com o uso de medicamentos para baixar a febre. Informa que o aumento de volume tem ocorrido parecendo haver um saco de bolas de gude no momento no local. Há uma semana apresenta episódios febre que desaparecem, suores a noite principalmente, e coceira pelo corpo. Emagreceu 10 Kg neste período.

Referências Bibliográficas
Tratado de Hematologia ; Marco Antonio Zago, Roberto Passetto Falcão, Ricardo Pasquini Editora Atheneu 2013

Vídeos Educativos – Curso de Hematologia/Oncologia – FM Unilago- 2015

Curso de Hematologia/Oncologia FM Unilago 2015

Videos educativos
• Anemia ferropriva – Backsiderinas https://www.youtube.com/watch?v=QLlyFKmLdms
• Anemia falciforme – Academia de Ciencias e Tecnologia

• Leucemia linfoide aguda: Nelson Hamerschlak – https://www.youtube.com/watch?v=TKd1r8L-BwU
• Leucemia mielóide crônica: Nelson Hamerschlak – https://www.youtube.com/watch?v=hW3AfKbt7OA
• Anemia aplástica – Rodrigo Calado http://disciplinas.stoa.usp.br/mod/url/view.php?id=158613
• Linfoma de Hodgkin – Blausen (inglês)
http://www.cancercenter.com/video/cancer-types/medanim/hodgkin-lymphoma/
• Leucemia Mielóide crônica – Blausen http://www.cancercenter.com/video/cancer-types/medanim/chronic-myeloid-leukemia/
• Leucemia linfóide Aguda – Blausen
http://www.cancercenter.com/video/cancer-types/medanim/acute-lymphocytic-leukemia/
• Leucemia Mielóide crônica Blausen http://www.cancercenter.com/video/cancer-types/medanim/acute-myeloid-leukemia/
• Linfoma não Hodgkin – Blausen
http://www.cancercenter.com/video/cancer-types/medanim/non-hodgkin-lymphoma/
• Leucemia linfoide crônica Blausen
http://www.cancercenter.com/video/cancer-types/medanim/chronic-lymphocytic-leukemia/
• O que é câncer CTCA
http://www.cancercenter.com/what-is-cancer/
• Purpura Trombocitopenica Idiopática
https://www.youtube.com/watch?v=ov2JUHDpt58
• Hemofilia

Objetivo, internacionalização e fator de impacto da Revista*

Ao longo dos anos como editores da Revista Brasileira de Hematologia e Hemoterapia (RBHH) tenho enfrentado algumas questões. A primeira delas, uma observação, que por vezes transforma-se em questionamento é sobre o objetivo da revista.

Para responder esta questão é necessário o retorno as suas origens na década de 80 do século passado. Naquela ocasião, de dias difíceis e discricionários, o Brasil era outro e a Sociedade Brasileira de Hematologia e Hematologia (SBHH), passava por um momento de reestruturação e de polêmica em relação á atividade da hemoterapia no país. Com atuação firme e decisiva, a doação de sangue remunerada foi banida do país. Desde 1973 a SBHH publicava um Boletim mensal que tinha o objetivo de divulgar as atividades da diretoria executiva e informar a todos o que ocorria na Hematologia/Hemoterapia em todo o país. Época de poucas informações, de dificuldade de acesso ás revistas científicas para a maioria, se dizia então que para alguns rincões do país esta era a única comunicação em hematologia/hemoterapia acessível.

A cidade de Buenos Aires, Argentina em 1984 realizava o Congresso Internacional de Hematologia e a diretoria da SBHH em um ato de ousadia de quatro ou cinco pessoas modificou o formato do seu Boletim informativo e lançou em seu lugar um protótipo de revista científica que circulou durante aquele evento. Naquele momento o objetivo primordial e de heresia dos idealizadores era o de avançar e marcar posição científica, crítica então que a SBHH recebia, além o de atrair jovens para o seio da sociedade. Hoje rememorando podemos considerar aquele ato como de vaidade para muitos, como um sinal de progresso da hematologia brasileira, o de ter uma revista própria, pois tal não existia no país e em nenhum outro local da América do Sul. A revista de hematologia de todas as outras entidades da área e da América latina era a Sangre de Barcelona. Editada em espanhol por quarenta anos deixou de circular no ano de 1999.

Após um início titubeante em sua atividade, a Revista da SBHH se tornou eficiente e dois anos após a sua primeira edição foi indexada no extinto Index Médico Latino Americano (IMLA), e logo após, incluída na base de revistas da Literatura Latino Americana de Ciências da Saúde e do Caribe (Lilacs). A partir de então não houve mais volta e as diretorias que se sucederam sempre tiveram como objetivo da revista ser a opção nacional de publicação da hematologia/hemoterapia que culminou com a mudança de título para o atual. Assim a revista paulatinamente se tornou a depositária de publicações de entrada para os autores do país, dos resultados de dissertações de mestrado e doutorado, de informações relevantes de temas brasileiros, e principalmente para contribuições que teriam difícil aceitação para publicação em revistas do exterior. Com este objetivo houve um incremento de contribuições de todos os estados do país que ao inicio era restrito aos estados do Rio de janeiro e São Paulo (1). Com a finalidade de exemplificar o exposto, temas como o do efeito danoso da fortificação do ferro alimentar (2,3), dengue (4-8), uso compassivo de terapia celular no país (9), artigos do projeto de diretrizes da AMB/ABHH (10-14) e muitos outros de interesse científico e nacional foram publicados com grande repercussão. Ratifico e devolvo a questão aos leitores: os temas citados anteriormente seriam publicados em alguma revista do exterior?  

A revista desde o inicio sempre teve o objetivo  de ser a revista da hematologia/hemoterapia brasileira. Hoje, este objetivo se mantém, e foi acrescido ao de aumentar a visibilidade da produção brasileira, com edição em língua inglesa e inserção nas bases de dados mais relevantes como Scopus e PubMed. Para tanto a revista progrediu, melhorou a sua edição, e cuidou em particular do uso da língua franca de comunicação que é o inglês em suas páginas. Esmerou-se no aspecto didático de orientação aos autores e os incitou a se aprimorarem nas contribuições para que aumentassem suas chances de sucesso para publicar na Revista Brasileira de Hematologia e Hemoterapia (RBHH) e no futuro em todos os veículos científicos existentes. Hoje na RBHH as contribuições são avaliadas pelo seu “board” interno, com revisão do formato, inglês e de estatística para após ter o seu mérito avaliado por experts. Com estas medidas a taxa de rejeição aumentou, mas a política editorial e os objetivos primários foram mantidos (15). E pensar, que houve tentativas há 5 anos atrás de se fechar a revista, mantida em reconhecimento devido a  história e ao trabalho da maioria dos hematologistas do passado e do presente.

Outra questão refere-se á internacionalização da revista.

Além das medidas já citadas, como passagem da edição para a língua inglesa o conselho editorial foi modificado há alguns anos, com o convite a diversos estrangeiros para participarem de sua composição. Este um passo importante não configura que a RBHH esteja se internacionalizando visto que o seu conteúdo, até o momento, conta quase que exclusivamente com contribuições do Brasil, apesar dos esforços e convites para se obter contribuições de autores estrangeiras nos últimos três anos. Resumindo a RBHH é uma publicação editada em país não-anglófono o Brasil, representativa de entidades científicas brasileiras (ABHH, SBTMO, Aibe e SOBOPE), publica quase exclusivamente comunicações brasileiras ou em sua maioria, tem direção executiva e científica brasileira e por isto não é uma revista internacional (16). Chegará um dia a ser internacional?

Outra a questão recorrente refere-se ao fator de impacto (FI) da revista.

Definimos como impacto a medida de repercussão que um conhecimento ou artigo divulgado por um determinado periódico científico, influencia e faz a diferença na sua comunidade de abrangência científica. Isto pode ser medido por meio da leitura, uso e aplicação do conhecimento veiculado, ser representado principalmente por citações, que simbolizam o nível de interesse de outros pesquisadores pelos artigos publicados na revista e o reconhecimento pela sua qualidade (17). Com o objetivo de ranquear os periódicos científicos de diversas áreas do conhecimento foi criado por Garfield um índice bibliométrico para esta mensuração relacionando o número de citações obtidas no universo das revistas de sua abrangência pelo o número de publicações, valor este referente a um determinado período de tempo para este periódico. No entanto quando esta questão é realizada o que se visa é saber a importância e o ranqueamento de um determinado periódico científico. Assim surgiu o FI do fundador do Institute for Scientific Information (ISI) que desde 1955 anualmente edita a lista e a classificação de periódicos no Journal Citation Report (JCR), dentro do universo de revistas de sua abrangência (17,18). O FI não tem como objetivo avaliar a qualidade ou qualificação de autores (18,19). No entanto o interesse pelo fator de impacto no meio acadêmico aumentou quando da reclassificação das revistas pelo sistema Qualis da CAPES que privilegia as revistas segundo o FI (ISI, JCR, Thomson-Reuters). Na sequência a avaliação dos programas de pós- graduação e de avaliações inter-pesquisadores da academia passou a pontuar a produção científica usando estes critérios que geram críticas até os dias atuais (20,21). O FI, de dois ou três anos, é um índice bibliométrico útil e tem variação segundo o universo de revistas abrangidas, hoje com maior número no Scopus ou no Google. No nosso meio a coleção Scielo Brasil disponibiliza o FI e outros índices e agora se anuncia o novo Scielo Citation Index da parceria com a Thomson Reuters. Outro índice de avaliação para revistas é o Scimago Journal Ranking (SJR). Outros índices existem todos com sua relevância para avaliação das revistas como o índice de imeditiacidade, índice H e outros, auxiliam mas apresentam imperfeições e insatisfações (21). Neste bojo de insatisfações na avaliação do impacto científico tradicional de avaliação cientométricas, e com as mudanças comportamentais com o surgimento da internet e disponibilidade eletrônica de todas as revistas,  surge a altimetria como alternativa aos índices bibliométricos tradicionais FI e índice H. A altimetria se propõe a avaliar o impacto como citado na definição (16) em toda gama de sua repercussão na forma de artigo, dado ou informação científica citada em mídia leiga, citações na mídia impressa e eletrônica,  visualizações. downloads, menções em mídias sociais, e novas mídias,  influenciadores de mudanças de políticas governamentais em decorrência de uma publicação (2,3).

Concluindo: A revista tem o objetivo precípuo de ser a revista da hematologia/hemoterapia e Terapia celular do Brasil. Cumpre  não nos afastarmos deste objetivo após o ganho de visibilidade e da nossa presença em todas as bases de dados relevantes mundiais.

A revista não é uma revista internacional, mas tem a ambição de ser cada vez mais conhecida internacionalmente.

A revista tem fator de impacto em todas as bases e foi submetida ao ISI/JCR/Thomson Reuters, estando disponível de forma ampla eletrônicamente e inserida no mercado editorial mundial para progredir com medidas recentes de novo site e novo Publisher de importância internacional.

Cumpre aos editores serem os guardiões do progresso obtido e evitarem a elitização e o desvio dos objetivos mantidos desde o seu início.   

 

Referências bibliográficas

1. Ruiz MA, Hewitt DA, Souza CA, Chiattone CS. Os sete anos da Revista Brasileira de Hematologia e Hemoterapia. Rev Bras Hematol Hemoter. 2006; 28 (1):49-52.

2. Martins JM. Considerations on the food fortification policy in Brazil. Rev Bras Hematol Hemoter. 2011;33(2):158-63.

3. Martins JM. Universal iron fortification of foods: the vision of the hematologist. Rev Bras Hematol Hemoter. 2012;34(6):459-63.

4. Ramos EF. Hemoterapia e febre Dengue. Rev Bras  Hematol  Hemoter. 2008; 30(1):61-9.

5. Barros LP,  Igawa, SE,  Jocundo, SY, Brito Junior LC. Análise crítica dos achados hematológicos e sorológicos de pacientes com suspeita de Dengue. Rev. Bras. Hematol. Hemoter. 2008; 30(5):363-6.

6. Azin FR, Gonçalves RP, Pitombeira MH, Lima DM, Castelo Branco I. Dengue: profile of hematological and biochemical dynamics. Rev Bras Hematol Hemoter. 2012; 34(1):36-41.

7. Ribas-Silva R, Eid AA. Dengue antibodies in blood donors. Rev Bras Hematol Hemoter. 2012;34 (3):193-5.

8. Fujimoto, DE, Koifman BS. Clinical and laboratory characteristics of patients with dengue hemorrhagic fever manifestations and their transfusion profile. Rev Bras Hematol Hemoter. 2014;36(2): in press.

9. De Santis GC, Ubiali EM, Covas DT. Compassionate use of cell products.  Rev Bras Hematol Hemoter. 2013;35(2):144-5.

10. Souza CA, Pagnano KB, Bendit I, Conchon M, Freitas CM Coelho AM, Funke VA, Bernardo WM. Chronic myeloid leukemia treatment guidelines: Brazilian Association Hematoly, Hemotherapy and Cell Therapy. Brazilian Medical Association Project. Rev Bras Hematol Hemoter 2012;34(5):367-82.

11. Hungria VT, Crusoe ET, Quero AA, Sampaio M, Maiolino A, Bernardo WM. Guidelines on the diagnosis and management of multiple myeloma treatment: Associação Brasileira de Hematologia e Hemoterapia e Terapia Celular Project guidelines: Associação Médica Brasileira – 2012. Rev Bras Hematol Hemoter. 2013;35(3):201-17

12. Braga JÁ, Loggetto SR, Hoepers AT, Bernardo WM, Medeiros L, Veríssimo MP, Guidelines on the diagnosis of primary immunethrombocytopenia in children and adolescents: Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia celular Guidelines Project: Associação Médica Brasileira.  Rev Bras Hematol Hemoter 2013; 35(5):358-65

13. Loggetto SR, Braga JA, Veríssimo MP, Bernardo WM, Medeiros L, Hoepers AT. Guidelines on the treatment of primary immune thrombocytopenia in children and

adolescents: Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular

Guidelines Project: Associação Médica Brasileira – 2012. Rev Bras Hematol Hemoter. 2013; 35(6):417-27.

 14.Pagnano KB, Rego EM, Rohr S, Chauffaille ML, Jacomo RH, Bittencourt R, et al. Guidelines on the diagnosis and treatment for acute promyelocytic leukemia: Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular Guidelines Project: Associação Médica Brasileira – 2013. Rev Bras Hematol Hemoter. 2014; 36(1):71-92.

15. Ruiz MA. The last issue of the year, a retrospective and a new perspective for the Revista Brasileira de Hematologia e Hemoterapia 2013; 35 (6): 376- 7   

16. de Jager M. Journal copy – editing in a non- anglophone environment 157-171 in Mataresi V. Supporting research writing, roles and challenges in multilingual settings. 2013, Chandos Publishing Hexagon House UK. 285 p.   

16. Sandes – Guimarães LV.   Gestão de Periódicos científicos: um estudo com revistas da área de administração. Dissertação de mestrado apresentada á escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas 2013; 134 p.

17. Garfield E. Citatation indexes for Science. A new dimension in documentation through association of ideas science 1955;122 (3159): 108-11

18. Ruiz MA Journal impact factor: this editorial, academic and scientific influence. Rev Bras Cir Cardiovasc 2009; 24(3): 273-78.

19. Garfield E. Journal impact factor today: a brief review CMAJ 1999; 161(8) :979-80

20. Andriolo A, Souza AF, Farias AQ, Barbosa AJ, Netto AS, Hernandez AJ et al. Classifications of journals in the Qualis system of CAPES: urgent need of changing the criteria. J Bras Nefrol 2010; 32(1):4-6

21. Barreto ML. The challenge of assessing the impact of science beyond bibliometrics. Rev Saude Publica. 2013; 47(4):834-7

*Artigo publicado primeiramente na versão em inglês na Revista Brasileira de Hematologia e Hemoterapia

Ruiz MA., Goals, globalization and impact factor of the journal. 2014; 36(2): 93

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Sobre o Autor

Médico, Hematologista, Hemoterapeuta, Professor Colaborador da disciplina de Hematologia/Hemoterapia da Faculdade de Medicina da Universidade de S. Paulo, USP-SP, Coordenador do Grupo de Estudos de Terapia celular do IMC de S J do Rio Preto-SP, Chefe da Unidade de Transplante de Medula Óssea do Hospital Infante D. Henrique da Associação Portuguesa de Beneficencia de SJ do Rio Preto SP. , Editor da Revista Brasileira de Hematologia e Hemoterapia - Journal of Hematology and Hemotherapy ISSN 1516 8494 , Mestre em Hematologia – Escola Paulista de Medicina, Unifesp-SP, Doutor em Medicina Interna – Unicamp-SP, Livre docente em Hematologia- Famerp- SP.

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