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Artigos

Exercício nas Doenças Auto imunes

Milton Artur Ruiz , Priscila Samara Saran
Unidade de TMO da Associação Portuguesa de Benficencia de SJ Rio Preto , SP                  

Doenças autoimunes realmente jogam o corpo em um ciclo vicioso. Você ataca seus próprios tecidos. Sua inflamação está na estratosfera. O que geralmente seria bom para você – como aumentar o sistema imunológico – pode piorar a sua situação. Muitas vezes você vai restringir certos alimentos que, no papel, parecem saudáveis e densos em nutrientes. Você não quer correr riscos, então mede e pondera tudo antes de comer ou fazer. Às vezes parece que quase tudo tem o potencial de ser um gatilho de piora dos sintomas.
Isso se aplica ao exercício, também? As pessoas com doenças autoimunes também devem mudar a forma como treinam ou se exercitam?

Primeiramente: o exercício pode ajudar. Você apenas tem que fazê-lo direito ou arriscar colher efeitos negativo.
Não sobre treine. A maioria das doenças autoimunes é caracterizada por inflamação crônica. Qualquer coisa que aumente essa carga inflamatória, como exercício demais, contribuirá para piorar o estado geral. . O sobre treino – exercício estressante do qual você não se recuperarará antes de exercer novamente – irá aumentar a sua carga de estresse e aumentar os sintomas autoimunes.

Evite o intestino permeável induzido pelo exercício. Exercícios intensos e prolongados – pensem em treinos metabólicos de 30 minutos de alta intensidade, corridas longas a passo rápido, tiros de 400 metros – aumentam a permeabilidade intestinal. A permeabilidade intestinal elevada tem sido associada à artrite reumatóide e à espondilite anquilosante, e os pesquisadores acham que ela pode desempenhar um papel causador também em outras doenças autoimunes.
No entanto, não se exercitar pode ser ainda pior porque o exercício aumenta as endorfinas. A maioria pensa nas endorfinas simplesmente como substâncias químicas que nos fazem “sentir bem”. Elas são o que o corpo bombeia para lidar com a dor, como uma resposta ao exercício, e é através do sistema de receptores de endorfinas que os opiáceos exógenos funcionam. As endorfinas também desempenham um papel importante na função imunológica. Em vez de “aumentá-la” ou “diminuí-la”, as endorfinas regulam a imunidade. Elas a mantêm funcionando sem problemas. Sem endorfinas, o sistema imunológico começa a se comportar mal. Soa familiar?

Esta é a mesma relação que todos têm com o exercício. Demasiado é ruim, muito pouco é ruim, a recuperação é sempre necessária, e a intensidade deve ser equilibrada com o volume de exercícios realizados. A margem de erro é simplesmente menor quando você tem uma doença auto-imune.
Na Doença de Crohn, o corpo ataca o trato gastrointestinal. É uma condição bem ruim. Como Crohn pode envolver dor abdominal incapacitante, digestão prejudicada, fadiga, dor nas articulações e diarreia de emergência, os pacients muitas vezes evitam o exercício. Eles não deveriam. Se você conseguir ultrapassar os bloqueios mentais que a Doença de Crohn constrói, o exercício pode realmente ajudar.

O que funciona:

Sprints (exercícios de alta intensidade em intervalos curtos), assim como exercícios de média intensidade funcionam, mas os sprints são menos inflamatórios. Ambos os sprints (seis ciclos de sprints de quatro x 15 segundos de bicicleta a 100% de potência de pico) e pedalar moderadamente (30 minutos a 50% de potência de pico) foram bem tolerados por crianças com Crohn, mas certos marcadores inflamatórios foram maiores no grupo moderado. Outro marcador inflamatório também permaneceu elevado durante mais tempo no grupo moderado.

Treinamento de resistência e atividade aeróbica. Sozinhos ou juntos, ambos melhoram os sintomas de Crohn modulando a função imunológica.
Andar a pé. Um programa de caminhada de baixa intensidade (apenas três vezes por semana) melhorou a qualidade de vida em pacientes com Crohn.

Naqueles pacientes que serão submetidos ao transplante de Células Tronco Hematopoiéticas, o exercício físico tem efeitos benéficos sobre o estado geral do paciente, influenciando inclusive em uma melhor mobilização das células tronco. Portanto, a fisioterapia deve deve ser realizada conforme as condições dos pacientes, que devem ser estimulados a caminhar e fazer exercícios conforme seu estado permitir, durante o período de internação e após alta hospitalar.

Referências
http://www.marksdailyapple.com acesso em 05 de abril de 2017
http://www.paleodiario.com/2017/04/como-exercitar-se-quando-se-tem-uma.html acesso em 05 de abril de 2017
DeFilippis EM, Tabani S, Warren RU, Christos PJ, Bosworth BP, Scherl EJ. Exercise and Self-Reported Limitations in Patients with Inflammatory Bowel Disease. Dig Dis Sci. 2016; 61 (1): 215-20
McCray CJ, Agarwal SK. Stress and autoimmunity. Immunol. Allergy Clin North Am. 2011; 31(1): 1-18.
Arrieta, MC, Bistritz L and Meddings JB. Alterations in intestinal permeability. Gut. 2006 ; 55(10): 1512–1520.
Wilson RW, Jacobsen PB, Fields KK. Pilot study of a home-based aerobic exercise program for sedentary cancer survivors treated with hematopoietic stem cell transplantation. Bone Marrow Transplant 2005; 35:721–727
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Sobre o Autor

Médico, Hematologista, Hemoterapeuta, Professor Colaborador da disciplina de Hematologia/Hemoterapia da Faculdade de Medicina da Universidade de S. Paulo, USP-SP, Coordenador do Grupo de Estudos de Terapia celular do IMC de S J do Rio Preto-SP, Chefe da Unidade de Transplante de Medula Óssea do Hospital Infante D. Henrique da Associação Portuguesa de Beneficencia de SJ do Rio Preto SP. , Editor da Revista Brasileira de Hematologia e Hemoterapia - Journal of Hematology and Hemotherapy ISSN 1516 8494 , Mestre em Hematologia – Escola Paulista de Medicina, Unifesp-SP, Doutor em Medicina Interna – Unicamp-SP, Livre docente em Hematologia- Famerp- SP.

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