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Artigos

Como provar o não aprovado em Terapia celular.

Milton Artur Ruiz*

A terapia celular é considerada a medicina do futuro (1). Há mais de dez anos a resposta da academia para a terapia tem sido frustrante e os resultados de estudos experimentais não tem sido transferido na velocidade que a população e os pacientes, muitos deles sem opção de tratamento, desejam. Assim, muitos se desesperam e buscam opções e tratamentos diversos por vezes não aprovados para os seus males.

Todo medicamento ou tratamento novo ou inovador para ser empregado deve seguir os paradigmas das fases de segurança, eficácia, antes da sua disseminação, comercialização e recomendação para a população. O tempo de aprovação de um novo medicamento é longo e pode ultrapassar 10 anos dependendo de aspectos locais e problemas burocráticos de cada país. Os parâmetros de avaliação como norma e seguidos são os da indústria farmacêutica, mas o que se observa é que a terapia celular não segue estes parâmetros.
Sobre isto a International Society for Cellular Therapy (ISCT) tem se debruçado e publicou recentemente na revista Cytotherapy artigos sobre o tema (2,3).

As células são altamente complexas e respondem dinamicamente a qualquer modificação do meio ambiente o que faz com que seja difícil a padronização, diferente das pequenas moléculas produzidas industrialmente em laboratórios e testados na forma tradicional. As células, por exemplo, secretam citocinas e fatores de crescimento, e microvesículas liberadas em múltiplas quantidades e combinações e que variam em relação ao meio ambiente e estado fisiopatológico do paciente no qual elas são introduzidas. Assim torna-se um desafio testar a terapia celular para várias doenças. Os desafios são a escolha do melhor tipo de célula, o mecanismo de ação que ela exerce para uma determinada doença, os aspectos técnicos do seu isolamento, caracterização e identificação, e a sua expansão em laboratórios que tenham boas práticas e experiência comprovadas (GMP). Outro aspecto refere-se ao número de células (dose) e a via de administração mais adequada para a doença que tenha indicação clínica ou não exista outra opção terapêutica. No entanto os estudos pré-clínicos devem ocorrer para que ocorra preliminarmente a prova de evidencia e conceitual de tratamento para a doença em tela e sob avaliação.
O uso compassivo da terapia celular em casos de emergência é outro aspecto que a ISCT demonstra ter preocupação (2). Ao mesmo tempo entende que em situações de emergência onde não exista por vezes outra opção que não a terapia celular ou já tenham sido esgotados os tratamentos convencionais. Neste aspecto o Brasil não possui legislação específica assim como para terapia o país segue normas de regulamentações mínimas produzido pelo Ministério da Saúde-ANS. Em relação a isto em nosso país existe um grande cabedal jurídico a favor do emprego de terapias inovadoras, desde que existam resultados pregressos e principalmente segurança no seu emprego para os pacientes.

Assim protocolos clínicos bem estabelecidos, e realizados por grupos com responsabilidade e conhecimento da terapia celular e da doença alvo são as premissas relevantes para o uso compassivo da terapia celular.
Estes protocolos não devem não ser realizados de forma esporádica, e sim conduzidos de forma a obter dados do procedimento e do seguimento dos pacientes. Assim todo o potencial do tratamento compassivo deve seguir a premissas de fase 1 baseado em um protocolo bem escrito, visando segurança e factibilidade, em relação ao tipo de célula a ser empregado e pincipalmente o desfecho a ser avaliado no tratamento. Este tratamento deve conter um documento de consentimento livre de participação com informações globais, resultados pregressos, riscos e benefícios potenciais e contar com a aquiescência do paciente a ser submissão a terapia e também permitir a divulgação dos resultados observados. Após, deverão ser delineados estudos de fase 2 e 3 de comparação com o melhor tratamento existente no momento para a doença sob investigação. Dependendo da doença sob investigação, serão selecionados os desfechos, o tamanho amostral e estes resultados obviamente determinarão o status da terapia celular naquela doença.

Os estudos randomizados são o objetivo dos pesquisadores, os mais valorizados e fazem parte do topo de uma linha de pesquisa. No entanto em determinadas situações, além de não serem factíveis, podem inclusive serem taxados de antiéticos em situações de extrema gravidade, onde resultados benéficos da terapia celular foram comprovados em revisões sistemáticas e metanálises4.
Concluindo urge que os profissionais da área de Terapia celular, as Sociedades envolvidas com a atividade, de especialidades e de pacientes que tenham doenças alvo de tratamento, discutam os resultados atuais existentes no país e no exterior e realizem avaliações conjuntas para definir o papel da terapia em cada doença.

Referências

1. Ruiz MA., Cell Therapy in Brazil, time to reflection Rev Bras Hematol Hemoter 2013, 35(5):296-8
2. Dominici M et al., Positioning a Scientific community on Unproven Cellular Therapies: The 2015 International Society for Cellular Therapy Perspective. Cytotherapy 2015; 17 (12):1663-6
3. Weiss DJ., Part 2: Making the “unproven” “proven” Cythotherapy. 2016;18(1):120-3
4. Benoit E et al. Safety and Efficacy of Autologous Cell Therapy in Critical Limb Ischemia: A Systematic Review. Cell Transplantation 2013; 22: 545-62

*Coordenador da Unidade de Transplante e Terapia cellular da Associação Portuguesa de Beneficencia SJ Rio Preto, SP Brasil.
Past VP South and Central America International Society for Cellular Therapy

Sobre o Autor

Médico, Hematologista, Hemoterapeuta, Professor Colaborador da disciplina de Hematologia/Hemoterapia da Faculdade de Medicina da Universidade de S. Paulo, USP-SP, Coordenador do Grupo de Estudos de Terapia celular do IMC de S J do Rio Preto-SP, Chefe da Unidade de Transplante de Medula Óssea do Hospital Infante D. Henrique da Associação Portuguesa de Beneficencia de SJ do Rio Preto SP. , Editor da Revista Brasileira de Hematologia e Hemoterapia - Journal of Hematology and Hemotherapy ISSN 1516 8494 , Mestre em Hematologia – Escola Paulista de Medicina, Unifesp-SP, Doutor em Medicina Interna – Unicamp-SP, Livre docente em Hematologia- Famerp- SP.

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