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Agenda Clínica

Esclerose Múltipla

O que é

  É uma doença caracterizada por  inflamação na substancia branca do Sistema Nervoso Central (SNC),  sendo alvo a bainha de mielina devido a atividade exacerbada dos linfócitos T.

Assim como em outras doenças auto-imunes o paciente tem que ser geneticamente suscetível e a partir disto fatores ambientais ou agentes virais podem desencadear o inicio da agressão e posterior inicio dos sinais e sintomas, sendo a doença mais comum em adultos jovens.                                                                            

 Fatores ambientais

 Exposição a raios ultravioleta e menor proteção de vitamina D.

O vírus EBV (Epstein-Barr) está presente em 100% dos pacientes com Esclerose Múltipla.

Hereditariedade

 Existe um aumento do risco relativo entre irmãos. Se os irmãos forem gêmeos monozigóticos a chance é muito maior (25 – 30%).

 Quais os tipos

Clinica inicia com surtos (esta forma é chamada de remitente – recorrente) ou é progressiva, onde na maioria das vezes o paciente em um ano do diagnóstico pode já se encontrar em uma cadeira de rodas ou com dificuldade de caminhar (incapacidade locomotora).

 Como se faz o diagnóstico:

      1.Pergunta clinica direcionada (anamnese) a surtos remitente-recorrente ou progressivo

     2. Exame neurológico (anormalidade objetivas) exame alterado que ocorre por duas ou mais lesões na substancia branca do SNC.

     3. Ressonância Magnética (lesões de distribuição espacial e temporal) e Tomografia encéfalo-medula espinhal para seguimento avaliando novas lesões.

     4. Líquido céfalo – raquidiano (presença de processo inflamatório e suas características reacionais) avaliando não só no diagnóstico, mas também rotineiramente o perfil de proteinas e citomorfológoco

     5. Exames de sangue (gerais para diagnóstico diferencial com outras doenças)

     6. Anatomia Patológica (dismielinização com vários padrões)

 Como se trata

 Sabe-se que as medicações disponíveis hoje interferem apenas no período remitente-recorrente enquanto na de evolução progressiva pouco se modifica.

   O Tratamento se realiza nos surtos ou profilaticamente no caso da forma recorrente-remitente.

 Tratamento dos surtos- Glicocorticóides (prednisona, metilprednisona ou dexametasona) por via oral ou endovenosa através de pulsos sendo que em torno de 50% dos pacientes não se recuperam dos surtos, e dai é recomendado a plasmaferese e ainda imunoglobulinas, que ainda é controversa, ou outros imunossupressores.

  Tratamento da forma recorrente-intermitente – imunomoduladores.

O Alfa – Interferon é utilizado profilaticamente para tentar reduzir o numero de surtos, mas esta medicação causa muitos efeitos colaterais importantes no paciente. O medicamento não garante o desenvolvimento da forma secundariamente progressiva, e neste caso se associam outros imunossupressores e até pulsos de corticóide.

 Tratamento forma progressiva – Manutenção do Alfa Interferon associada ao uso de drogas imunossupressoras como o Methotrexato (MTX), Azatioprina, Ciclofosfamida. A Plasmaférese, e os anticorpos monoclonais como o Campath, Natalizumab, Rituximab e outras apesar de promissores não se mostrou eficaz nesta fase da doença

 Tratamento de suporte – Fisioterapia, diazepínicos, analgésicos para a dor dos espasmos, e carbamazepina para as dores trigeminais.

Lilian Piron

Sobre o Autor

Médico, Hematologista, Hemoterapeuta, Professor Colaborador da disciplina de Hematologia/Hemoterapia da Faculdade de Medicina da Universidade de S. Paulo, USP-SP, Coordenador do Grupo de Estudos de Terapia celular do IMC de S J do Rio Preto-SP, Chefe da Unidade de Transplante de Medula Óssea do Hospital Infante D. Henrique da Associação Portuguesa de Beneficencia de SJ do Rio Preto SP. , Editor da Revista Brasileira de Hematologia e Hemoterapia - Journal of Hematology and Hemotherapy ISSN 1516 8494 , Mestre em Hematologia – Escola Paulista de Medicina, Unifesp-SP, Doutor em Medicina Interna – Unicamp-SP, Livre docente em Hematologia- Famerp- SP.

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